
No artigo de opinião, o autor é chamado de articulista. A principal característica de um artigo de opinião é a tomada de posição diante de uma questão polêmica. Em geral, questões polêmicas dizem respeito a assuntos que circulam na imprensa, mídia em geral ou na sociedade como um todo.
Uma questão polêmica deve polemizar, ou seja: gerar discussões, controvérsias, suscitar diferentes pontos de vista sobre o tema tratado. Questões polêmicas são aquelas em que não há consenso, ou seja, alguns concordam e outros não, por exemplo: "O desarmamento da população diminuiria ou não a violência?".
O autor deve se posicionar contra ou a favor de determinado assunto, justificando sua tomada de posição por meio de argumentos que sustentem a opinião manifestada. Uma boa argumentação deve convencer, persuadir o leitor a assumir um ponto de vista semelhante ao exposto pelo autor.
O texto será mais persuasivo à medida que for capaz de convencer um maior número de leitores. Para isso, os articulistas, em geral, usam argumentos de diferentes naturezas, como por exemplo, resultados de pesquisas ou dados estatísticos, informações obtidas com pessoas ou instituições especialistas da área, princípios ou crenças pessoais, relações de causa e consequência, exemplificações, entre outras.
Outra característica fundamental do artigo de opinião é a coerência. O autor precisa manter sua opinião e uma clara linha de raciocínio do início ao fim do texto, sem desviar do foco central sobre o qual estiver manifestando seu ponto de vista. Para garantir a coerência, os articulistas costumam reafirmar seu posicionamento, durante e ao final do texto, de maneira clara e contundente, muitas vezes, solicitando ao leitor que assuma também uma posição.
Artigos de opinião não precisam, necessariamente, apresentar propostas de solução para a polêmica abordada. No entanto, essa é uma característica que tem se mostrado cada vez mais presente na laborção de textos desses gênero.
Referência Bibliográfica:
Apostila Positivo 2
8° ano- 2010
Exemplo de artigo d opinião:
"Queremos a infância para nós" - Rosely Sayão
O mundo anda bem atrapalhado: de um lado, temos crianças que se comportam, se vestem, falam e são tratadas como adultos. Do outro, adultos que se comportam, se vestem, falam e são tratados como crianças. Pelo jeito, infância e vida adulta têm hoje pouco a ver com idade cronológica.
Não é preciso muito para observar sinais dessa troca: basta olhar as pessoas no espaço público. É corriqueiro vermos meninas vestidas com roupas de adultos, inclusive sensuais: blusas e saias curtas, calças apertadas, meia-calça e sapatos de salto. E pensar que elas precisam é de roupa folgada para deixar o corpo explodir em movimentos que devem ser experimentados... Mas sempre há um traço que trai a idade: um brinquedo pendurado, um exagero de enfeites, um excesso de maquiagem etc.
Se olharmos as adultas, vestidas com o mesmo tipo de roupa das meninas descritas acima, vemos também brinquedos, carregados como enfeites ou amuletos: nos chaveiros, nas bolsas, nos telefones celulares, nos carros. Isso sem falar nas mesas de trabalho, enfeitadas com ícones do mundo infantil.
Criança pequena adora ter amigo imaginário, mas essa maravilhosa possibilidade tem sido destruída, pouco a pouco, pelo massacre da realidade do mundo adulto, que tem colaborado muito para desfazer a fantasia e o faz-de-conta. Mas os legítimos representantes desse mundo, por sua vez, não hesitam em ter o seu. Ultimamente, ele tem sido comum e ganhou o nome de deus. Não me refiro ao Deus das religiões e alvo da fé. A idéia de deus foi privatizada, e cada um tem o seu, à sua imagem e semelhança, mesmo sem professar religião nenhuma.
O amigo imaginário dos adultos chamado de deus é aquele com quem eles conversam animadamente, a quem chamam nos momentos de estresse, a quem recorrem sempre que enfrentam dificuldades, precisam tomar uma decisão ou anseiam por algo e, principalmente, para contornar a solidão. Nada como ter um amigo invisível, já que ele não exige lealdade, dedicação nem cobra nada, não é?
E o que dizer, então, das brincadeiras infantis que muitos adultos são obrigados a enfrentar quando fazem cursos, freqüentam seminários ou assistem a aulas? É um tal de assoprar bexigas, abraçar quem está ao lado, acender fósforo para expressar uma idéia, carregar uma pedra para ter a palavra no grupo, escolher um bicho como imagem de identificação, usar canetas coloridas para fazer trabalhos etc.
Mas, se existe uma manifestação comum a crianças e adultos para expressar alegria, contentamento, comemoração e afins, ela tem sido o grito. Que as crianças gritem porque ainda não descobriram outras maneiras de expressar emoções, dá para entender. Aliás, é bom lembrar que os educadores não têm colaborado para que elas aprendam a desenvolver outros tipos de expressão. Mas os adultos gritarem desesperada e estridentemente para manifestar emoção é constrangedor. Com tamanha confusão, fica a impressão de que roubamos a infância das crianças porque a queremos para nós, não?
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